9 de agosto de 2010

Underground

Há poucos meses conversei com o jornalista, escritor e filósofo, Luiz Carlos Maciel. Aos 72 anos, este gaúcho de Porto Alegre mas há mais de quatro décadas radicado no Rio de Janeiro recordava como foram os frenéticos anos 60. “Foi um tempo de muita agitação e criatividade. Minha geração queria mudar não só o mundo como cada um de nós em particular, ou seja, a própria vida que cada um vivia”, lembra Maciel. No final da década, ele, no Pasquim, comandava as duas páginas do Underground, a primeira experiência no Brasil a acompanhar o movimento hippie. “Acredito que vivi períodos privilegiados, repletos de descobertas e revelações”, acrescenta. Seguem abaixo trechos selecionados da entrevista:

O que você fazia entre 1967-1969, época do surgimento e da explosão do movimento hippie?
Trabalhava em jornais e revistas, tipo Ele Ela, O Jornal, Última Hora e finalmente O Pasquim, no seu inicio. Foi neste último que criei as duas páginas do Underground, a primeira do Brasil a acompanhar o movimento hippie. Tive também uma coluna na Ultima Hora, chamada Vanguarda.

Qual a memória que você tem dos acontecimentos daquela época?
A melhor possível. Foi um tempo de muita agitação e criatividade. Minha geração queria mudar não só o mundo como cada um de nós em particular, ou seja, a própria vida que cada um vivia. Acho que tive uma juventude privilegiada, cheia de descobertas e revelações, a gente se divertia muito.

Quais foram as grandes revoluções do movimento hippie?
A grande revolução foi a liberdade. A verdade de Sartre de que somos totalmente livres para inventar a nós próprios, foi posta em prática. Houve uma contestação de toda a maneira de viver vigente, uma subversão de valores, no sentido de Nietzsche, que abrangeu comportamento, estética, moral, política, religião, etc. A gente se divertiu muito.

Passados 40 anos, o que os hippies deixaram de ensinamento?
A liberdade.

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