31 de maio de 2010

Veneno e amargura

Boa reflexão do jornalista Pedro Alexandre Sanches em seu blog. Ex-Folha e ex-Carta Capital, Pedro faz uma análise interessante sobre o papel do crítico. Um trecho:

Acredito que não precisamos, e nesse sentido me parece que perdeu muito sentido aquele estilo de escrita que o Tinhorão tinha e depois continuou com o Pepe Escobar, o Luís Antônio Giron, mesmo eu (aliás, se formos pensar, esse modelo nas últimas décadas ficou muito circunscrito ao núcleo "Folha"-"Veja", não é mesmo? Nunca foi muito a cara dos jornais cariocas, nem mesmo do "Estado", pelo menos no que se refere à crítica cultural). Mas aí há um ponto importante: isso não quer dizer que morreu o modelo de crítico ácido, que fala pelo fígado e cospe bile verde quando se expressa. O que eu acho que acontece nos últimos anos é que a internet virou tudo de ponta-cabeça. Se antes uma parte do público leitor aplaudia secretamente e se identificava em silêncio com o crítico ranzinza, amargo, recalcado etc., enquanto outra parte adorava usar essa mesma figura como bonequinho de vodu, hoje toda e qualquer pessoa tem a oportunidade de ir pessoalmente para um blog, um Orkut, um Twitter ou o que seja destilar suas próprias doses de veneno e amargura.
Mais no blog dele.

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