24 de junho de 2010

A celeste

A boa fase da seleção uruguai deve estar alimentando os sonhos do escritor Eduardo Galeano. Apaixonado por futebol, Galeano dispensa ao esporte o mesmo olhar aguçado que demonstrou ao analisar os problemas do continente em As Veias Abertas da América Latina. Em Futebol – Ao Sol e à Sombra (Tradução de Eric Nepomuceno e Maria do Carmo Brito), lançado em 1995, Galeano faz um inventário de histórias e personagens do futebol. A análise de Galeano, torcedor do Nacional de Montevidéu, passa pela sua infância que, como admite, foi repleta de sonhos de quem desejava ser jogador de futebol, mas, como confessa no livro, "jogava muito bem, era uma maravilha, mas só de noite, enquanto dormia: durante o dia era o pior perna-de-pau que havia visto nos campinhos do meu país".

Coletânea de textos que misturas anônimos – o torcedor, o goleiro, o ídolo –, Galeano é generoso com seus ídolos, reunindo nas páginas do livro craques de diversas épocas como Yashin, Zizinho, Maradona, Paul Breitner e Heleno de Freitas. Nesse Olimpo, o capitão da seleção uruguaia de 1950, Obdulio Varela, ocupa o mais alto degrau. A ele, Galeano dedica um dos momentos mais emocionantes ao recordar como o herói uruguaio comemorou a vitória do seu time bebendo anonimamente em um bar do Rio, ao lado de torcedores brasileiros que choravam a derrota.

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