14 de maio de 2010

Soneto de Tite

Poeta, letrista, jornalista e dramaturgo, Newton Lisboa Lemos Filho, o Tite de Lemos, foi múltiplo em múltiplas funções. Nasceu no Rio de Janeiro em 1942 e, a partir dos anos 60, passou a ter envolvimento com o teatro. Na década seguinte, ao lado de Guarabira, Luiz Carlos Maciel, Sidney Miller, Paulo Affonso Grisolli e Marcos Flaksman, escreveu o musical Alice no País Divino Maravilhoso. Ainda destacou-se como letrista (com parceiras com Sueli Costa, Francis Hime e Sergio Saraceni) e como poeta, publicando os livros Corcovado Park, Marcas do Zorro, Sonetos do Caderno e Outros Sonetos do Caderno. Morreu de câncer aos 47 anos em junho de 1989. Dele, destaco um soneto:

14 tortuosas linhas, 13
labirintos sem fim e sem começo,
12 portas lacradas, 11 vezes
forçadas, talvez 10, até me esqueço.

9 questões de lógica celeste
ou 8 jogos de adivinhação,
7 ou 6 tentativas, todas vãs,
de escutar o que ainda não disseste.

5 metáforas jogadas fora
quando quero dizer-te que te adoro.
4 rimas rebeldes, 3 tropeços,

2 tombos e no entanto, finalmente,
nada que não pudesse resolver-se
em 1 simples bilhete adolescente.

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