Um instrumento musical com nome de foguete há mais de cinco décadas revoluciona o rock. A Fender Stratocaster é reconhecida como modelo de guitarra elétrica mais famoso do mundo, imortalizado por uma legião que vai de Jimi Hendrix a Eric Clapton, de Buddy Holly a Lou Reed.
Na verdade, a história da Fender Stratocaster começa uma década antes, quando Leo Fender – que trabalhava em uma loja de conserto de rádios – e se juntou a Doc Kauffmann, montando a empresa K&F Manufacturing. Em 1946, Fender criou um primeiro modelo de guitarra que deveria servir apenas para demonstração, mas acabou fazendo um enorme sucesso entre os músicos de country da região, que faziam listas de espera para alugá-lo. Logo depois, os dois romperam a sociedade, e Fender começou a trabalhar num projeto de guitarra de corpo sólido e que fosse prático.
A Fender Esquire e, logo depois, a Fender Telecaster fizeram sucesso, mas Fender ainda se assustava com a concorrência dos modelos Gibson, Epiphone e Gretsch. Ele desejava um instrumento infalível que não perdesse em agudos e que tivesse graves mais poderosos que a estridente Telecaster.
Nos primeiros meses de 1954, chegavam às lojas os primeiros exemplares da Fender Stratocaster. Era realmente revolucionária – fato que se devia ao seu conforto na hora de tocar, com seu corpo chanfrado – e curiosamente, afinal Leo Fender não se preocupava com isso, ela apresentava um design inovador. A resposta do público foi imediata: a Stratocaster ficou entre os modelos mais vendidos nos Estados Unidos entre maio de 1954 e dezembro de 1955.
Fender viu o êxito de sua maior criação, mas em 1965, quando ficou doente, pensou seriamente que iria morrer e vendeu a empresa para o grupo CBS por US$ 13 milhões. Muitos guitarristas nem consideram os instrumentos feitos a partir da mudança. A CBS ficou com a empresa durante 20 anos e depois repassou para investidores em 1985. Leo Fender morreu seis anos depois.
23 de agosto de 2010
10 de agosto de 2010
Um craque
Cinquenta e seis anos depois de ter encantado o mundo comandando a Seleção Húngara, Ferenc Puskas (1927 - 2006) merece ser lembrado com a leitura de Puskas – Uma Lenda do Futebol. O livro, lançado há doze anos pela Editora DBA, mas ainda encontrável em muitas livrarias, é uma imensa reportagem feita pelos jornalistas Klara Jamrich e Rogan Taylor. Ele inglês, ela conterrânea do craque.
Jogador que quase sempre estava acima do peso, mas que compensava os quilos a mais com agilidade e um potente chute de perna esquerda, Puskas – juntamente com outros jogadores, técnicos e jornalistas da época – recorda como um time – o Honved – idealizado pelo governo da Hungria, que pretendia usar os jogadores como instrumento de propaganda, se transformou numa máquina de jogar futebol. As conversas entre Puskas e os jornalistas destacam a participação da seleção na Olimpíada de Helsinque, em 1952, a vitória sobre os ingleses em pleno estádio de Wembley – considerado um dos dez melhores jogos de todos os tempos –, a formação do Real Madrid ao lado de Di Stéfano e Didi e, principalmente, o relato sobre a derrota (inimaginável) para a Alemanha na Copa de 1954.
A taça seria levantada por Fritz Walter, comandante de uma seleção alemã que tendo perdido para os mesmos húngaros na primeira fase por 8x3 conseguiu vencer na final, derrotando os adversários por 3x2. Poucos meses depois da Copa, a imprensa europeia descobria que metade do time campeão adoecera de icterícia. Naquele tempo, não havia exame de doping.
E para quem não viu Puskas em ação:
Jogador que quase sempre estava acima do peso, mas que compensava os quilos a mais com agilidade e um potente chute de perna esquerda, Puskas – juntamente com outros jogadores, técnicos e jornalistas da época – recorda como um time – o Honved – idealizado pelo governo da Hungria, que pretendia usar os jogadores como instrumento de propaganda, se transformou numa máquina de jogar futebol. As conversas entre Puskas e os jornalistas destacam a participação da seleção na Olimpíada de Helsinque, em 1952, a vitória sobre os ingleses em pleno estádio de Wembley – considerado um dos dez melhores jogos de todos os tempos –, a formação do Real Madrid ao lado de Di Stéfano e Didi e, principalmente, o relato sobre a derrota (inimaginável) para a Alemanha na Copa de 1954.
A taça seria levantada por Fritz Walter, comandante de uma seleção alemã que tendo perdido para os mesmos húngaros na primeira fase por 8x3 conseguiu vencer na final, derrotando os adversários por 3x2. Poucos meses depois da Copa, a imprensa europeia descobria que metade do time campeão adoecera de icterícia. Naquele tempo, não havia exame de doping.
E para quem não viu Puskas em ação:
9 de agosto de 2010
Underground
Há poucos meses conversei com o jornalista, escritor e filósofo, Luiz Carlos Maciel. Aos 72 anos, este gaúcho de Porto Alegre mas há mais de quatro décadas radicado no Rio de Janeiro recordava como foram os frenéticos anos 60. “Foi um tempo de muita agitação e criatividade. Minha geração queria mudar não só o mundo como cada um de nós em particular, ou seja, a própria vida que cada um vivia”, lembra Maciel. No final da década, ele, no Pasquim, comandava as duas páginas do Underground, a primeira experiência no Brasil a acompanhar o movimento hippie. “Acredito que vivi períodos privilegiados, repletos de descobertas e revelações”, acrescenta. Seguem abaixo trechos selecionados da entrevista:
O que você fazia entre 1967-1969, época do surgimento e da explosão do movimento hippie?
Trabalhava em jornais e revistas, tipo Ele Ela, O Jornal, Última Hora e finalmente O Pasquim, no seu inicio. Foi neste último que criei as duas páginas do Underground, a primeira do Brasil a acompanhar o movimento hippie. Tive também uma coluna na Ultima Hora, chamada Vanguarda.
Qual a memória que você tem dos acontecimentos daquela época?
A melhor possível. Foi um tempo de muita agitação e criatividade. Minha geração queria mudar não só o mundo como cada um de nós em particular, ou seja, a própria vida que cada um vivia. Acho que tive uma juventude privilegiada, cheia de descobertas e revelações, a gente se divertia muito.
Quais foram as grandes revoluções do movimento hippie?
A grande revolução foi a liberdade. A verdade de Sartre de que somos totalmente livres para inventar a nós próprios, foi posta em prática. Houve uma contestação de toda a maneira de viver vigente, uma subversão de valores, no sentido de Nietzsche, que abrangeu comportamento, estética, moral, política, religião, etc. A gente se divertiu muito.
Passados 40 anos, o que os hippies deixaram de ensinamento?
A liberdade.
O que você fazia entre 1967-1969, época do surgimento e da explosão do movimento hippie?
Trabalhava em jornais e revistas, tipo Ele Ela, O Jornal, Última Hora e finalmente O Pasquim, no seu inicio. Foi neste último que criei as duas páginas do Underground, a primeira do Brasil a acompanhar o movimento hippie. Tive também uma coluna na Ultima Hora, chamada Vanguarda.
Qual a memória que você tem dos acontecimentos daquela época?
A melhor possível. Foi um tempo de muita agitação e criatividade. Minha geração queria mudar não só o mundo como cada um de nós em particular, ou seja, a própria vida que cada um vivia. Acho que tive uma juventude privilegiada, cheia de descobertas e revelações, a gente se divertia muito.
Quais foram as grandes revoluções do movimento hippie?
A grande revolução foi a liberdade. A verdade de Sartre de que somos totalmente livres para inventar a nós próprios, foi posta em prática. Houve uma contestação de toda a maneira de viver vigente, uma subversão de valores, no sentido de Nietzsche, que abrangeu comportamento, estética, moral, política, religião, etc. A gente se divertiu muito.
Passados 40 anos, o que os hippies deixaram de ensinamento?
A liberdade.
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8 de agosto de 2010
Uma vida vivida intensamente
Ator símbolo do humor americano da transição das décadas de 70/80, John Belushi tem sua vida escarafunchada por um dos melhores repórteres dos Estados Unidos: Bob Woodward. O resultado está em Wired, biografia que agora ganha versão em espanhol com o título "Como una Moto: La Vida Galopante de John Belushi". Ao mostrar a roda viva em que o ator vivia, com muito álcool e drogas, o livro revela um relato frenético rumo ao abismo.
14 de julho de 2010
Rio Babilônia
Nos últimos dias, o intrépido Ezequiel Neves (1935 - 2010) foi lembrado de várias maneiras - o crítico musical, o poeta, o produtor, o amigo de Cazuza, o doidão - mas não vi em nenhuma matéria qualquer referência ao talento visionário e de roteirista, como comprova Rio Babilônia, filme de Neville D'Almeida dos anos 80. Muitas das questões levantadas pelo filme, que pareciam tão distantes e até absurdas, acabaram se confirmando no caótico Rio de Janeiro atual.
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8 de julho de 2010
Boêmio anarquista
Carlinhos Oliveira era um cronista que tinha ojeriza a rótulos e dogmas. Chegou a ser chamado de simpatizante da ditadura, embora nunca tivesse escrito uma linha a favor do governo militar e, na época braba da repressão, teve a coragem de abrigar em seu apartamento um militante de esquerda indiretamente envolvido no seqüestro do embaixador Charles Elbrick. Apesar de beber muitos – às vezes até quase de maneira inconveniente – Carlinhos Oliveira não se considerava um alcóolatra – pois o termo, segundo ele, estava associado ao desencanto e à depressão. Preferia definir-se como um bêbado que sabia tirar proveito das alegrias que a bebida proporciona. Era quase um clochard, pouco chegado ao banho e sem nenhum apego material. Nos últimos anos de vida voltou-se para a religião, mas permaneceu um iconoclasta que nem a fé conseguiu demover da incredulidade e, entre tantas definições, ninguém foi tão preciso quanto ele próprio ao se classificar como surrealista por temperamento, anarquista por indisciplina de berço, boêmio por amor à vagabundagem e agregado à elite pensante por acaso".
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25 de junho de 2010
Wilson Simonal (1938 - 2000)
Para lembrar os 10 anos da morte do maior cantor brasileiro
Na faixa 11 de Show em Si...Monal - disco que registra ao vivo uma das centenas da apresentações de Wilson Simonal em 1967 -, o artista entre conversas e brincadeiras com a plateia finge ler uma edição do Jornal da Tarde que lhe foi entregue por um marciano futurista. A edição é de 24 de junho de 2000 que - coincidentemente ou profeticamente - é a véspera do último dia de vida de Simonal. O dia lento e arrastado da segunda morte do cantor. A primeira foi 29 anos antes, em agosto de 1971, quando as denúncias de torturas sofridas pelo ex-contador de Simonal, colocaram o intérprete num furacão de boatos e intrigas encerrando com uma rapidez impressionante a carreira do maior cantor brasileiro de todos os tempos,
É, a afirmação de Miéle no documentário Ninguém Sabe o Duro que Dei não é fácil mas é possível de ser comprovada. Simonal foi o maior cantor brasileiro. E isso não é pouco num país que já formou João Gilberto e Roberto Carlos, Lucio Alves e Dick Farney, Orlando Silva e Silvio Caldas, Milton Nascimento e qualquer outro que você queira citar. Nos dez discos que gravou para a EMI-Odeon na década de 60, Simonal fez a síntese de quase todas as vertentes musicais brasilieras. Foi ainda o que mais se aproximou da figura do entertainer, o artista completo capaz de cantar, dançar, contar piadas, fazer imitações e se dividir entre vários instrumentos. No planeta, só havia um exemplo a ser imitado: Sammy Davis Jr.
Se mais não fez - além da maneira abrupta pela qual sua carreira foi encerrada - deve-se ao fato de Simonal não ter a exata noção de sua grandeza. O marrento e mascarado, que tinha um ego maior do que o Maracanãzinho, musicalmente deixava transparecer sua fragilidade, dedicando tempo e energia demais a brincadeiras e pilantragens como Meu Limão, Meu Limoeiro e Mamãe Passou Açúcar ni Mim. O verdadeiro Simonal, da voz poderosa, da divisão rítmica perfeita (ou de onde você pensa que Elis tirou os jogos vocais de Águas de Março?), do suingue imbatível, do acesso ao falsete e a um scat jazzístico de entortar se traduz melhor em outras interpretações, muitas delas pouco conhecidas. Exemplos: o Simonal bossanovista (de Sabe Você), o da dor-de-cotovelo (de Sozinha, de Lupicinio), o dos standards americanos (de The Shadow of Your Smile, num impecável dueto com Sarah Vaughan), o dos afrossambas (de Consolação ou então Nanã), o do sambalanço (em País Tropical) e até o Simonal engajado (de Tributo a Martin Luther King, composição de sua autoria lançada um ano antes da morte do líder do movimento negro americano). Vale lembrar ainda a toada moderna (de Sá Marina) e a pré-discotheque nativa com palmas derivada do gênero "a-go-go" de artistas "chicanos" como Chris Montez e Trini Lopez.
Depois de uma vida artística relativamente curta e de duas mortes, Simonal pode estar ganhando uma nova vida, que deixaria de lado os preconceitos, os folclores e as caricaturas. Assim, a obra genial de um artista inovador ficaria em destaque. Pois, paradoxalmente, o que impediu Simonal de ser considerado por muitos o maior cantor do país teria sido o excesso, não a falta. Como se fosse preciso jogar luz sobre o que estava visível – mas que ele viu antes -, burilar, tirando de uma obra imensa tudo o que fosse supérfluo e deixando em destaque apenas o essencial - obtendo da simplicidade o máximo do refinamento.
Na faixa 11 de Show em Si...Monal - disco que registra ao vivo uma das centenas da apresentações de Wilson Simonal em 1967 -, o artista entre conversas e brincadeiras com a plateia finge ler uma edição do Jornal da Tarde que lhe foi entregue por um marciano futurista. A edição é de 24 de junho de 2000 que - coincidentemente ou profeticamente - é a véspera do último dia de vida de Simonal. O dia lento e arrastado da segunda morte do cantor. A primeira foi 29 anos antes, em agosto de 1971, quando as denúncias de torturas sofridas pelo ex-contador de Simonal, colocaram o intérprete num furacão de boatos e intrigas encerrando com uma rapidez impressionante a carreira do maior cantor brasileiro de todos os tempos,
É, a afirmação de Miéle no documentário Ninguém Sabe o Duro que Dei não é fácil mas é possível de ser comprovada. Simonal foi o maior cantor brasileiro. E isso não é pouco num país que já formou João Gilberto e Roberto Carlos, Lucio Alves e Dick Farney, Orlando Silva e Silvio Caldas, Milton Nascimento e qualquer outro que você queira citar. Nos dez discos que gravou para a EMI-Odeon na década de 60, Simonal fez a síntese de quase todas as vertentes musicais brasilieras. Foi ainda o que mais se aproximou da figura do entertainer, o artista completo capaz de cantar, dançar, contar piadas, fazer imitações e se dividir entre vários instrumentos. No planeta, só havia um exemplo a ser imitado: Sammy Davis Jr.
Se mais não fez - além da maneira abrupta pela qual sua carreira foi encerrada - deve-se ao fato de Simonal não ter a exata noção de sua grandeza. O marrento e mascarado, que tinha um ego maior do que o Maracanãzinho, musicalmente deixava transparecer sua fragilidade, dedicando tempo e energia demais a brincadeiras e pilantragens como Meu Limão, Meu Limoeiro e Mamãe Passou Açúcar ni Mim. O verdadeiro Simonal, da voz poderosa, da divisão rítmica perfeita (ou de onde você pensa que Elis tirou os jogos vocais de Águas de Março?), do suingue imbatível, do acesso ao falsete e a um scat jazzístico de entortar se traduz melhor em outras interpretações, muitas delas pouco conhecidas. Exemplos: o Simonal bossanovista (de Sabe Você), o da dor-de-cotovelo (de Sozinha, de Lupicinio), o dos standards americanos (de The Shadow of Your Smile, num impecável dueto com Sarah Vaughan), o dos afrossambas (de Consolação ou então Nanã), o do sambalanço (em País Tropical) e até o Simonal engajado (de Tributo a Martin Luther King, composição de sua autoria lançada um ano antes da morte do líder do movimento negro americano). Vale lembrar ainda a toada moderna (de Sá Marina) e a pré-discotheque nativa com palmas derivada do gênero "a-go-go" de artistas "chicanos" como Chris Montez e Trini Lopez.
Depois de uma vida artística relativamente curta e de duas mortes, Simonal pode estar ganhando uma nova vida, que deixaria de lado os preconceitos, os folclores e as caricaturas. Assim, a obra genial de um artista inovador ficaria em destaque. Pois, paradoxalmente, o que impediu Simonal de ser considerado por muitos o maior cantor do país teria sido o excesso, não a falta. Como se fosse preciso jogar luz sobre o que estava visível – mas que ele viu antes -, burilar, tirando de uma obra imensa tudo o que fosse supérfluo e deixando em destaque apenas o essencial - obtendo da simplicidade o máximo do refinamento.
24 de junho de 2010
A celeste
A boa fase da seleção uruguai deve estar alimentando os sonhos do escritor Eduardo Galeano. Apaixonado por futebol, Galeano dispensa ao esporte o mesmo olhar aguçado que demonstrou ao analisar os problemas do continente em As Veias Abertas da América Latina. Em Futebol – Ao Sol e à Sombra (Tradução de Eric Nepomuceno e Maria do Carmo Brito), lançado em 1995, Galeano faz um inventário de histórias e personagens do futebol. A análise de Galeano, torcedor do Nacional de Montevidéu, passa pela sua infância que, como admite, foi repleta de sonhos de quem desejava ser jogador de futebol, mas, como confessa no livro, "jogava muito bem, era uma maravilha, mas só de noite, enquanto dormia: durante o dia era o pior perna-de-pau que havia visto nos campinhos do meu país".
Coletânea de textos que misturas anônimos – o torcedor, o goleiro, o ídolo –, Galeano é generoso com seus ídolos, reunindo nas páginas do livro craques de diversas épocas como Yashin, Zizinho, Maradona, Paul Breitner e Heleno de Freitas. Nesse Olimpo, o capitão da seleção uruguaia de 1950, Obdulio Varela, ocupa o mais alto degrau. A ele, Galeano dedica um dos momentos mais emocionantes ao recordar como o herói uruguaio comemorou a vitória do seu time bebendo anonimamente em um bar do Rio, ao lado de torcedores brasileiros que choravam a derrota.
Coletânea de textos que misturas anônimos – o torcedor, o goleiro, o ídolo –, Galeano é generoso com seus ídolos, reunindo nas páginas do livro craques de diversas épocas como Yashin, Zizinho, Maradona, Paul Breitner e Heleno de Freitas. Nesse Olimpo, o capitão da seleção uruguaia de 1950, Obdulio Varela, ocupa o mais alto degrau. A ele, Galeano dedica um dos momentos mais emocionantes ao recordar como o herói uruguaio comemorou a vitória do seu time bebendo anonimamente em um bar do Rio, ao lado de torcedores brasileiros que choravam a derrota.
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Com a diaba no corpo
Livremente inspirado na vida de Madame Satã – só que com mais violência e com menos romantismo – A Rainha Diaba é centrado na atuação de Milton Gonçalves que interpreta o bandido. O filme nasceu a partir do desejo do diretor de mostrar o submundo das drogas e da prostituição no Rio de Janeiro dos anos 70 e teve influências decisivas do teatrólogo Plinio Marcos – também responsável pelo argumento – e do artista plástico Helio Oiticica. "Visitei Helio em Nova York. Ele morava em um loft numa das regiões mais barra pesada da cidade e me apresentou a muitos travestis, o que me permitiu entender o universo da Rainha Diaba", explica Fontoura em uma das entrevistas, que inicialmente chegou a cogitar o cantor Agnaldo Timóteo para o papel principal.
No elenco, destaque também para as atuações de Odete Lara, Stepan Nercessian, Nelson Xavier e Wilson Grey.
No elenco, destaque também para as atuações de Odete Lara, Stepan Nercessian, Nelson Xavier e Wilson Grey.
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milton gonçalves,
rainha diaba
22 de junho de 2010
Futebol é coisa séria
Boa análise do jornalista e autor teatral Sergio Roveri - com quem trabalhei entre 2001/2003 - sobre um fenômeno televisivo que não para de crescer: o do repórter esportivo que se considera humorista, poeta, cronista e bufão.
Aprendiz de feiticeiro
Finalmente as pessoas se deram conta de que está nascendo um novo Galvão Bueno. Ele se chama Tadeu Schmidt, está ganhando um espaço absurdo na cobertura da Copa do Mundo e reúne todas as condições para, em pouquíssimo tempo, superar o seu mestre. Acredito que, para as milhões de pessoas que estão vendo os jogos da copa, foi uma alegria muito grande, quase uma vingança, saber que nesta segunda-feira o bordão "Cala a Boca, Tadeu Schmidt" foi o campeão de postagens no Twitter, chegando a superar o histórico Cala a Boca, Galvão. Espero que sirva de alerta para o jovem profissional, que ainda não se decidiu se é repórter, humorista, poeta, cronista ou bufão. Se ele continuar no ritmo em que está, e com o prestígio que vem recebendo da emissora em que trabalha, daqui a alguns meses sentiremos muita saudade do Galvão Bueno. E a postagem campeã do twitter provavelmente será: Volta, Galvão Bueno.
O problema é que o mundo está tão de cabeça para baixo, com os valores tão invertidos, que provavelmente ao ser informado de que virou a estrela do twitter nesta segunda, ainda que por motivos tortos, o jornalista vai respirar feliz e convicto de que está no caminho certo. Na próxima vez em que aparecer na televisão, com certeza hoje à noite, ele terá uma nova crônica tão, mas tão chata, que passaremos a acreditar que Pedro Bial é Carlos Drummond de Andrade.
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